Sunday, May 7, 2006

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escritos pré-presidenciais 2006. Em saldo.

Advogado

O que leva o presidente do partido mais democrático português – o PCTP/MRPP – a apoiar uma virtual candidatura de Freitas?
Há os fanáticos, os assumidos, os independentes, os indecisos... e depois há Freitas que ninguém, nem ele mesmo, sabe o que é. Foi fundador e dirigente do partido onde os fascistoides se recolhiam, urdiu a AD, tornou-se independente, livre do peso dos ideais subiu ao cume e agora tranquilamente conspira com os socialistas e é apoiado pelo dirigente do MRPP. Que se passa, Garcia Pereira?
O prémio para quem adivinhar em quem Freitas votará, se é que vai votar, é chorudo.


Lírico

Alegre, o homem que toda a vida viveu de ser socialista e que não o é; que é poeta e não político; que é político – perdão, dirigente político – e não poeta; que confunde o ano em que nasceu com a idade que tem, (este macho portentoso está nitidamente convencido que tem 40 anos); que fala em pátria como um fascista mas foi torturado por eles; que se diz um cidadão do mundo, mas que é de Coimbra e não Susto (Scary)viveria sem fronteiras nem “soberania nacional” e muito menos sem exército (que pensará Alegre sobre a desmilitarizada Costa Rica, à luz da Poesia?); que se levanta contra os que supostamente defende apoiado pelos que sempre soube atacar; que dormirá como um bebé debaixo da asa negra de Cavaco, mas que se sente acossado pelas atitudes traidoras e vis dos seus camaradas; que confia, mas desconfia; que sim, mas não; que não, mas sim; que é tal e qual o Susto dos Mini-Robots da RTP2; tal e qual; o poeta cujas musas adormeceram permitindo que o vexame, a vingança e a vaidade despertassem...
Como poeta, Alegre anda a fingir que finge o fingimento deveras fingido. Como político anda a contracenar.
Como entender que o partido socialista continue a deixar sugar-se por Alegre? Há limites para tudo, até para a magnanimidade. Já o estou a ver, depois das eleições, vigariamente sentado no seu lugar, esforçadamente à espera do seu salário socialista. Hó, dinheiro mal empregado!
Hó, grande Alegre, quem te compreendesse na tua incompreensível grandeza!
(a lega-lenga pode continuar: tem um partido que não é um partido, é um movimento; tem, mas não tem: não pertence a esse movimento...)


Mau professor

Eu, na minha criancice, odeio mais que tudo a desilusão.
Mário Soares desiludiu-me: Sempre defendeu que o povo é sábio.
Eu nunca gostei de multidões. Desprezei sempre as vontades da populaça. Vi sempre, no povo, ignorância e animalidade, até, mas quis aprender que a burrice era minha e acabei por aceitar como certo e bom o ensinamento de Mário Soares de que o povo é sempre profundamente sábio. As provas eram suficientes, o professor qualificado. Destituí o meu juízo e acatei o de Soares.
Fiz mal. O povo, não posso acreditar, prepara-se para eleger como presidente da República, uma avantesma. Ao que parece, sou o único a ter a certeza que não é possível que Cavaco ganhe. E tenho-a porque aprendi que o povo é sábio. Se me desiludir, odiarei Mário Soares.
(Para mim, se Cavaco ganhar, que não ganha, será o equivalente a emigrar: passarei a viver num país que me é estranho.)



Outras Actividades
Toda a gente acredita que o Bloco de Esquerda é um partido. Parece que afinal é apenas um hobby de Louçã. Louçã continua, com paixão amadora, sozinho a fazer o que gosta. O facto de o partido já ter raízes, deputados em todo o lado, com perspectivas de continuar a crescer, nada disso o perturba e lá anda ele, como sempre, só, feliz, a batalhar entusiasticamente por uns ideais que no fundo, no fundo, não quer. (Louçã é um supernormal, bem sucedido burguês e pai de família. Está no fundo da lista dos que anseiam por mudanças. Parabéns.)
Interessa-lhe o que faz, o que os outros fazem interessa-lhe pouco: encara como “liberdade individual” e deixa fazer. No seu curriculum, “dirigente do BE; deputado”, aparece em “outras actividades”.
Assim sendo, já que ultrapassou a dimensão de seita e muito mais a de projecto individual, o BE está em vias de se desmoronar por falta de alicerces e retomar a dimensão natural: Louçã. Essa previsível derrocada será como o são as derrocadas: instantânea e irreversível.
Quem é a quela senhora deputada que também ganha à pala do BE e não apoiou o Louçã? Só visto! Só visto!
Escrúpulos.

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