domingo, outubro 29, 2006

Miau

E foi o final do primeiro dos novos programas dos gatos fedorentos. Parece que o segundo é que vai ser bom.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Dejá vue

Uma das minhas frases é: "A originalidade, como alguém já disse, é uma ilusão". Eu acho-a boa, inventei-a eu e tenho a certeza que centenas antes de mim já a tinham inventado. Parabéns para eles, bom proveito; igualmente para mim. Eu sei que a inventei. Ninguém, nunca, jamais, ma tirará. É quanto me basta.

A selecção natural, um dos mecanismos fundamentais da diversidade biológica, foi inventada por Charles Darwin e por outros pensada antes dele, e por outros inventada depois dele (que a não conheciam e chegaram a essa mesma ideia) e escrita e publicada por um, antes dele - de quem ninguém sabe o nome e muito menos leu o livreco, sobre tipos de árvores cuja madeira é boa para a construção naval, onde a publicou. Aliás não lhe foi difícil reconhecer que não deu importância por aí além à ideia e que o que ele tinha pensado, sendo o mesmo, não tinha nada a ver com o que Darwin tinha pensado.

As ideias são como as mulheres: interessa o que se faz com elas, não o que se imagina poder fazer. (vêem? Inventei outra!).

Boas, óptimas ideias de negócios, todos têm; o lucro vai, contudo, direitinho para quem concretiza o negócio; não para quem o pensa.

Acerca da história de plágio que anda para aí, tenho que dizer que se é esta a ideia que o autor tem de plágio, então não deve haver maneira de escapar, porque ".....uma visão muito pessoal do ambiente retratado no livro “Equador”, ...." é o máximo de originalidade que alguém pode ter neste mundo. Assim como uma visão muito pessoal das sete notas musicais, sete, é o máximo de originalidade musical que se consegue.

Achei estranho ele ter 'acusado o toque'. Eu, no lugar dele, nem tinha pestanejado. A que propósito? Um caso típico de cães a ladrar... e a caravana pára?! Não compreendo.

Esta impressão que a liberdade de expressão faz aos europeus, não deixa de me surpreender.

Se escrever um livro que já foi escrito não é plágio, pois já todos os livros foram escritos, por outro lado, ameaçar de pauladas é crime...

I - O crime de ameaça tipificado no nº1 do art. 153º do CP, pressupõe que o agente anuncie a outra pessoa que, no futuro, perpetrará sobre ela um mal que, revestindo a natureza de crime, pode consistir na violação de bens jurídicos, pessoais ou patrimóniais.

quinta-feira, outubro 26, 2006

Baque

Acabei de, inesperadamente, dar com a melhor fotografia que alguma vez alguém tirou à ponte da Arrábida (Porto). É de Humberto Borges. Agora vou ver se descubro quem é este extraordinário fotógrafo e pensar como e donde tirou esta fotografia.



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Adenda (20 Nov 2006): Cá está ele: http://fyad.org/u4rp
e aqui:
http://www.pbase.com/photokhan/radio_skies

30/11/2006: Tirou-a do Palácio com uma grande tele-objectiva.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Abracadabra

Mote:
Ontem, para tirar uma dúzia de exaustos, mansos e românticos 'comunas' de um teatro, foram considerados necessários 100 (cem; C; one hundred) lanceiros.


Continuo pasmado de ver tantas pessoas aparentemente sábias, a defender a 'via do diálogo' ou o recurso à 'inteligência', para resolver os problemas que os terroristas e similares (coreias, médios-orientes...) nos colocam a todos.
Essas pessoas consideram, do alto da sua sapiência, sem deixarem margem para dúvidas, que a 'força bruta' é uma não-solução.

(Imagino essas pessoas a serem assaltadas (por um bando de canalha selvagem - porque se for por uma pessoa 'normal', claro que sim...) e a tentarem resolver o assunto por via do diálogo; imagino até essas pessoas a tentarem esclarecer um funcionário ignorante e decidido que se lhes impôe ou um polícia excessivamente diligente que os decide enfrentar, e surdo e cego para tudo o que não esteja no seu campo de visão... Não aconteceu já isto a todos?)

Leva-me a pensar que nunca nenhuma dessas pessoas criou um cachorro, educou uma criança, lidou com doentes mentais ou idosos; quer dizer: que já perderam a noção de certas realidades mundanas. Tal e qual.
Quem já tenha criado uma criança sabe, mas sabe mesmo, que há circunstâncias onde nem toda a bondade, carinho e simpatia do mundo, nem todo o Freud do mundo, nem todo o Piaget do mundo, funcionam. Há circunstâncias em que uma silenciosa imposição física encerra toda a eloquência do mundo. E não adianta descrever mais este fenômeno - tem de se viver para se aceitar esta triste mas indiscutível realidade.
(A Civilização entra na medida dessa imposição, claro.)

Ora, em relação, por exemplo, aos terroristas (e dizendo isto numa frase tão vulnerável perante o português como nós o somos perante o terrorismo) não só não é uma não-solução como é a única solução.
É a própria inteligência que nos deve fazer aceitar o que, por princípios,
rejeitamos (1).
E se é infeliz abdicar do diálogo, da cortesia, numa palavra: da Civilização, para resolver os problemas, é venturoso aceitar uma solução básica quando esta se revela melhor do que uma etérea solução ideal.

E não se trata de "abdicar"; trata-se de, primeiro, estabelecer as condições necessárias para a via civilizada possa funcionar. Essas condições só se conseguirão com um sereno mas categórico empurrão.

Como já disse numa entrada anterior: não se faz uma serra dar vinho com falinhas mansas; é necessário ferro e fogo; muito suor e constante atenção.

(1): Foi com frases destas - aliadas a sujas, hipócritas, abusivas e tendenciosas interpretações - que muitos sábios viram o seu trabalho atolado. (Marx e Nietzsche, por exemplo)
Não se perca de vista que, tal como as funções matemáticas, também as 'sentenças' têm um domínio de aplicabilidade que é necessário definir...

quarta-feira, outubro 18, 2006

Siga a marinha

Apesar das notícias

tudo vai bem no site oficial do metro de roma







(Quanto mais conheço os europeus mais gosto dos americanos).

domingo, outubro 15, 2006

Moca na Anacom (palíndromo)

Anacom suspende tarifário nocturno gratuito da PT
A Anacom decidiu esta quinta-feira suspender de forma imediata a oferta do plano tarifário PT Free Noites, da Portugal Telecom (PT), de acordo com um comunicado do regulador.



Vai buscar!

Frases feitas, Motivações e Preferências

De boas intenções está o inferno cheio.

Estive a dar uma espreitadela no Abrupto e vejo que se fala muito de censura.

Quero dizer que o ministro que declarou papalmente que "a crise acabou", foi movido pelas mesmas e exactas razões que levaram à implementação da Censura.
(Numa palavra: manipulação; do povo.)

Estou farto destes idiotas, armados em boas pessoas, muito modernos, muito intelectuais... Muito perigosos.
Tenho saudades dos repugnantes, mafiosos, inocentemente transparentes, 'cães que ladram'.
Do mal, o menos.

Entre o pedófilo simpático e o ladrão mascarado não há dúvidas de qual é a melhor escolha; há?

sábado, outubro 14, 2006

Números

Não compreendo o esforço que meio mundo faz para engendrar novas e aberrantes maneiras de escrever números, de cada vez que precisam de o fazer. Com mil milhões de macacos!: será assim tão difícil?!
Eis como noventa e cinco milhões aparece escrito nos monitores da TVI, em Portugal (e no resto da Europa, suponho):
95.000.000.00€

Ora isto não é nada. Nada de nada. Nem na China nem em lado nenhum.

Entendam:

-O separador decimal é, em Portugal, a vírgula. Como todos sabemos, de ler textos em inglês, outros países usam o ponto. Quer dizer que, por exemplo, onze euros e vinte e um cêntimos (devia ser 'centavos' mas isso já é história) se pode escrever: 11,21 € ou 11.21 € conforme as circunstâncias (país, tipo de documento ou público alvo).
-Os números grandes podem separar-se (em grupos de três algarismos para um lado e para o outro do separador decimal) para facilitar a leitura. Isso faz-se, não com vírgulas (porque já estão ocupadas a servir de separador decimal) nem com pontos (pela mesma óbvia razão) mas sim, e apenas, com um espaço. Nem apóstrofos, nem mais nada: um singelo espaço. A maior tecla do teclado.
A partir de cinco algarismos já se pode usar esta atenção para com os leitores. Com 4 algarismos, uma data, por exemplo, não convém. 1984; 2006...
Existe sempre um espaço a separar as unidades dos números. 23,05 € e não 23,05€. Seja qual for a unidade; seja qual for o número; sejam quais forem as circunstâncias.

Então, "noventa e cinco milhões de euros" escreve-se, por exemplo:
95 000 000 €.

O que leva alguém a gatafunhar 95.000.000.00€ é para mim um mistério.
Só encontro, como razão, uma notável falta de vergonha na cara.
Agradeço outras explicações, a quem as tiver.


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Nota pessoal:
não concordo (e não uso) este agrupamento para a direita do separador decimal. Prefiro ter mais dificuldade em escrever(?) mas que o resultado seja mais legível - que é, no meu entender, o principal. Assim, em vez de escrever:
25 236,235 25
teimosamente escrevo:
25 236,23 525
porque quero ler com a mesma facilidade a parte decimal...

sexta-feira, outubro 13, 2006

Mitos económicos

Mito, é uma mentira que, como é corroborada e alimentada por todos, se torna verdade.

Outro mito económico que todos pagamos caro, é este:



informação persuasiva=conto do vigário

(sai-nos caro porque dado que o 'preço de mercado' não é mito e dado que toda esta treta traz sempre grandes despesas, acaba-se por ter de 'cortar' no produto (na embalagem e publicidade nunca; sacrilégio!)

Um produto que tenha 'qualidades intrínsecas' que vão de acordo com as necessidades dos consumidores e que esteja acessível, vende.
A guerra só se pôe -só se justifica- perante concorrentes muito similares. Nesse caso é necessário gerar diferenças (coca-cola x pepsi).

Ora vejam lá estas embalagens:
(c)Nuno Castela

À pala do socialismo

Sintoma:
A EDP - Energias de Portugal anunciou hoje que os resultados líquidos de 2005 ascenderam a mil e setenta e um milhões de euros, o que representa uma subida de 294,3 % ....

A palavra chave é 'líquidos'. Depois de estourarem tudo quando puderam e se lembraram. Depois disso (não conseguiram gastar mais) ainda sobraram mil milhõesitos.

Acabei de ver na TV uma mulher que recebe 40 € por mês.
Vou repetir:
Acabei de ver na TV uma mulher que recebe 40 € por mês.

Não gosto deste socialismo.

quinta-feira, outubro 12, 2006

Ignorantes

Está neste preciso momento a dar na RTP uma entrevista com o arrogante do ministro da saúde, outro que sabe tudo; parece um marquês; se não lhe derem medalhas, no fim, o homem, vê-se mesmo, desesperará.
Bem, dizia ele:" ...e onde fazíamos cortes?! Nas forças armadas?! na educação?! na investigação?!"

Ficam aqui as respostas:
-Sim.
-Sim.
-Sim, por favor.

Este Governo é estúpido. As decisões são tomadas por cismas, por vaidade, por medo, condescendentemente, pelo Expresso, baseadas em mitos económicos...
Isto está bom é para homossexuais. E para os bancos também não está mau. O toureio está em alta. Fátima nunca esteve tão bem. Os monárquicos não se queixam...

O 'perfil' do governo já está bem definido. Posso garantir que de 'socialista' não tem nada.

Às vezes faço uma analogia: tudo isto é um terreno e o governo é o fertilizante; que tipo de plantas está a crescer mais?
Olhando à volta vê-se. Depois é só concluir acerca do tipo de fertilizante.
Por exemplo: uma terra onde os gatunos e as putas florescem e os desgraçados dos mansos cumpridores definham é uma terra onde as silvas e as ervas daninhas medram e as árvores mirram.

Os 'reis' dão vontade de rir (para não chorar) e os 'bobos' começam a fazer sentido: um país de maravilhas.

Num minuto

Acerca da corrupção:

Só há três tipos de corrupção:

-sentido de injustiça - que advém de um sentimento de injustiça acerca de nós mesmos e sobre o qual construimos uma justificação para aceitar o 'bolo' (ocasional, por mero interesse económico)

-amoralidade (quando o que se ganha não faz diferença nenhuma nem existe qualquer outro motivo para entrar no jogo)

-por medo ou lealdade tribal (quando reincidente e limitada a um grupo estabelecido)

O PGR, no seu discurso de tomada de posse, referia-se ao segundo tipo.
O primeiro só se resolve com justiça social e um bom governo (independentemente das condições: só o sentido de justiça interessa, não interessa o 'nível económico')
O segundo é, tecnicamente, incontrolável; tem que ver com cultura, educação, cidadania... Conceitos.
O terceiro é para a polícia.

.br

Pêlo de rato, asas de inseto, pedaços de barbante, plástico e grãos de areia. Não, não é uma receita qualquer de bruxaria. Esses ingredientes estão na composição dos cigarros falsificados e contrabandeados para o Brasil.

terça-feira, outubro 10, 2006

Parecenças

Heaven, I'm in heaven...

"Há novas exigências, agora demonstraveis, como sejam as que garantam certos niveis de proficiência em capacidades pessoais, interpessoais e profissionais, como por exemplo comunicação escrita, oral e multimédia, .....
..... mudança essa que sendo cultural é concerteza longa e difícil.
.....e operar sistemas complexos, com valor acrescentado, tenham em conta as questões ambientais e societais .....
......que sabemos determinante que souberam desempenhar....."

(As palavras a vermelho farão parte da edição revista do Dicionário da Academia, a sair brevemente.)

Quando é que se almoça?
Foi profetizado e é bem verdade: é deles o reino dos céus.

Bem-vindos


O próximo dicionário da Academia das Ciências incluirá, sem dúvida, estas formas; como variante erudita. Ah, pois é.

domingo, outubro 08, 2006

Trás-os-Montes


(Acerca do filme "Trás-os-Montes" de António Reis e Margarida Cordeiro).
Não sabia que Lauro António escrevia tão bem:

Um filme que procura reencontrar o olhar de uma criança. Através dele a alma de um povo.

Quis o destino! que ao amor de António Reis e Margarida Martins Cordeiro, abundantemente testemunhado ao longo das duas horas de projecção de “Trás-os-Montes”, correspondesse um qualquer grupo de transmontanos com artigos e comunicados, cartas e telegramas de irada fúria agressiva, acusando os autores de tudo e mais alguma coisa. Choveram cartas nos departamentos oficiais, nos órgãos da comunicação social, um pouco por todo o lado.
Que não se viam as barragens, que não se vislumbravam as obras do Estado Novo, que Trás-os-Montes não é só miséria, nem só ignorância, nem só falta de higiene, que faltam os monumentos e as estradas, que faltam as aldeias com luz, que falta o sol, que faltam os petiscos da sua cozinha “que a agrura do clima exige que seja substancial” (esperemos que para todos!), que falta a obra do engenheiro tal, que faltam as paisagens, enfim, que falta tudo o que importante era para dar a conhecer Trás-os-Montes.
Efectivamente, cremos que o filme de António Reis e Margarida Martins Cordeiro é incompleto e omisso em relação a Trás-os-Montes: no povo que retrata com tanto amor e paixão falta na realidade uma referência a esses transmontanos boçais e rudes de entendimento que escreveram o que atrás se cita.
Falta a imbecilidade e a brutalidade desses que ousaram levantar o seu sujo olhar para uma obra de uma pureza que desconhecem.
.....
O problema é que falta mesmo!

sábado, outubro 07, 2006

Mama


No seu trabalho, os investigadores constataram que as mães que amamentam tendem a pertencer a meios sociais mais favorecidos e educados.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Masters of disguise


Fig. 1 (à esquerda): Um português no dia-a-dia.
Fig 2 (à direita): Um português disfarçado para o crime.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Desagregação forçada (imprescindível)

Em 2004 já me fazia confusão a incrível insistência na "via do diálogo" defendida por Mário Soares, acerca dos terroristas. Como o que então gatafunhei continua a precisar de publicidade, reavivo-o aqui:

Mário Soares diz que se deve dialogar com os execráveis dos terroristas para tentar "resolver a situação", sendo que a "situação" é andarmos todos cheios de medo dessa cambada de idiotas.
Soares leva-nos assim a pensar, por analogia, que acredita ser possível rotear uma serra, falando com ela.
Lastimavelmente não é: é necessário ferro e fogo:


"durante os trabalhos de arroteamento e terraceamento que antecede a plantação da vinha, nomeadamente através de mobilizações profundas com desagregação forçada da rocha e consequente aprofundamento do perfil e modificações na morfologia original, acrescida da incorporação de fertilizantes"
Só depois - ó deuses!, como é extensa a quantidade de coisas necessárias! - é que vem o vinho.


Nota: Conheço bem o poder do Verbo. São de facto as palavras que constroem os mundos. Mas esta magia tem uma fraqueza: são necessários ouvidos. Falar com rochas não dá nada. Sim, rochas.