domingo, outubro 08, 2006

Trás-os-Montes


(Acerca do filme "Trás-os-Montes" de António Reis e Margarida Cordeiro).
Não sabia que Lauro António escrevia tão bem:

Um filme que procura reencontrar o olhar de uma criança. Através dele a alma de um povo.

Quis o destino! que ao amor de António Reis e Margarida Martins Cordeiro, abundantemente testemunhado ao longo das duas horas de projecção de “Trás-os-Montes”, correspondesse um qualquer grupo de transmontanos com artigos e comunicados, cartas e telegramas de irada fúria agressiva, acusando os autores de tudo e mais alguma coisa. Choveram cartas nos departamentos oficiais, nos órgãos da comunicação social, um pouco por todo o lado.
Que não se viam as barragens, que não se vislumbravam as obras do Estado Novo, que Trás-os-Montes não é só miséria, nem só ignorância, nem só falta de higiene, que faltam os monumentos e as estradas, que faltam as aldeias com luz, que falta o sol, que faltam os petiscos da sua cozinha “que a agrura do clima exige que seja substancial” (esperemos que para todos!), que falta a obra do engenheiro tal, que faltam as paisagens, enfim, que falta tudo o que importante era para dar a conhecer Trás-os-Montes.
Efectivamente, cremos que o filme de António Reis e Margarida Martins Cordeiro é incompleto e omisso em relação a Trás-os-Montes: no povo que retrata com tanto amor e paixão falta na realidade uma referência a esses transmontanos boçais e rudes de entendimento que escreveram o que atrás se cita.
Falta a imbecilidade e a brutalidade desses que ousaram levantar o seu sujo olhar para uma obra de uma pureza que desconhecem.
.....
O problema é que falta mesmo!

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