sábado, novembro 18, 2006

Autocomentário

Agostinho da SilvaO sábio Agostinho ao perguntar ao MEC "mas quem lhe disse que eu vou morrer? O facto de que até agora toda a gente ter morrido não quer dizer que eu não seja o primeiro a não o fazer!" deslaçou o que podia ter sido uma entrevista histórica e mostrou esoterismos abrasileirados que nem com muita boa vontade se encaixam.MEC
(E indica que Agostinho tinha já alcançado um nível de buda...!)
A percepção de que tudo tem um fim, além de Criacionista (no sentido da criação do homem, não da vida em si), peca por desviada: eu encaro-a sempre como uma desfocada interpretação do efeito borboleta, de que todas as coisas do universo, todas mesmo, estão interligadas e se interferem. Mas fazem-no contingentemente, não por cumprimento de instruções pré-programadas nem para cumprir roboticamente um qualquer fim determinado por um deus de objectivos bem delineados.
A grande realidade do mundo é a contingência. O resto é presunção e água benta.pó De realçar que o efeito borboleta valida, por assim dizer, toda a presunção que se queira: o facto de se dizer uma ladainha ou fazer outra coisa qualquer pode de facto alterar o mundo (pelo menos dali a muito tempo e muito longe).
A 'magia', penso, virá por um processo junguiano daqui.
Se rebobinássemos a história nada seria igual: a contingência impede-o.
Quem sabe explicar isto é Stephen J. Gould, o meu maior herói intelectual...
Nada disto tira importância à vida humana; pelo contrário: saber que somos meros instrumentos de um fim maior é que nos reduz a criados.
A contingência é universal. Numa escala local não impede que eu decida isto ou aquilo. A contingência não impediu ninguém de escolher não eleger Hitler. Mas foi por processos contingentes que se chegou a essa mão - como num jogo de cartas - de opções. Quanto mais nos afastarmos ou recuarmos no tempo melhor veremos isso. Basta pensar uns segundos no tetravô do bisavô de Hitler... :-)
(dá para rir mas é a sério)

Tudo tem consequências, sim;
tudo tem um objectivo, uma função pré-determinada, não (porque implica que uma vida é apenas o percorrer de uma linha pré-definida).

Chamamos destino ao jogo entre o nosso contingente património genético e cultural (que determina as nossas vontades e capacidades/limitações) e as escolhas que fazemos.ants

O destino é como o movimento absoluto: é implícito de mais para se notar. Daí que encaixa mais ou menos que há um destino e que cada um de nós serve apenas para o cumprir.


Eu por exemplo, como bom portuguesinho, recuso-me a lutar contra o meu destino; e assim valido automaticamente a sua tangibilidade por desconsideração da antítese!)

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(as implicações da cultura nas escolhas; as implicações da engenharia genética e política social no indivíduo;...
falta dizer muitissimo.)

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Que coincidência!: 2: repetição da entrevista

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