quarta-feira, agosto 28, 2013

Um exemplo, enfim


Vasco Gonçalves enfim introduziu o 13º mês; enfim nacionalizou a banca; destruiu enfim os latifúndios. Quando quase todos os outros recuaram por vulgar egoísmo e só pensarem na própria barriga, Vasco Gonçalves disse, corajosa e altruisticamente, sim.
Morreu velho a gozar regaladamente de uma bela piscina.

Estes lacaios de seres mitológicos que lá temos agora, quê?

Acho que querem morrer velhos a gozar uma bela piscina,  não por prémio mas sim por conquista. À força. Porque se acham mais espertos que os outros.
Não passam do animalesco. Conceitos acima disso, não computam.


Acho eu.
Deve ser isso.
Parece-me.
Desconfio que deve ser isso.
Enfim.

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"Era um homem magro e desengonçado, de nariz afilado e grandes entradas, a testa alta e larga. Humilde e simples, tinha o semblante ingénuo e honesto dos homens bons. Gostei dele à primeira vista. Pinto Soares apresentou-mo:
- O nosso coronel Vasco Gonçalves, da Direção da Arma de Engenharia. Meu coronel, este é o major Otelo, de Artilharia.
Oferecemo-lhe, no respeito hierárquico, a presidência. Logo aí lhe notei um certo incómodo. Não queria estar em destaque, na mesa. Preferia ir para o meio dos outros. Insistimos. À sua esquerda, Banazol, à direita, Vítor Alves. Que me segredou em confidência:
- Este é que é «o Baldes»...
Nunca, na Academia Militar, me tinha cruzado com ele. Mas sempre me assaltara o riso quando recordava uma das melhores alcunhas que em minha opinião tinham sido postas a um professor e pelo motivo que a justificava: quando andava, parecia que levava um balde cheio em cada mão.
Ele ali estava então, pela primeira vez, entre nós. Demos-lhe a palavra, de imediato, que ele utilizou, receosamente, como quem pede desculpa, para tentar definir a sua posição e expor as suas dúvidas." 
Alvorada em Abril, Otelo.

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 O Houaiss não lista "ingénuo". Não lista. Não refere. É ingênuo e pronto. E é "incômodo" e mais nada. Enfim...

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