terça-feira, dezembro 03, 2013

Fado do 112

Letra: Júlio Pomar
Música: Armando Freire [Fado Manganito]

Sem capricho ou presunção
Nesta torre de papel,
Deita sete olhares de mel
Em metade de um limão.

Na noite mais traiçoeira
Ruim, medonha, brutal,
Descontada a pasmaceira
Do inferno do normal.

Se me vires a cara séria
Juiz, togado ou em fralda,
A julgar faltas, à balda,
Num tribunal multimédia.

E tomado o pensamento
Por rombo, machado ou moca
Pega no laser da moda,
Dou-te o meu assentimento.

Se me vires, por fraqueza,
Por perfídia ou aflição,
Mergulhado na tristeza
Com que se mói a razão.

E servi-la à sobremesa
Das ceias da frustração,
Assentado na baixeza
O programa da nação.

Por favor peço-te só
Não te demores, vem logo.
Traz gasolina, põe fogo,
Meu amor, não tenhas dó.

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